Archive for the ‘Elvas’ Tag

Uma névoa de Outono o ar raro vela,   2 comments

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta […]

Texto: Fernando Pessoa

Foto: João Carvalho (Elvas, 2015)

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Posted 14 de Novembro de 2015 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Endrómina   Leave a comment


Oculta ando do mundo
Incapaz de me entender,
Renego a origem a cada segundo
Apenas para poder sobreviver.


Lua prata, luminosa, que me orientas.
A teu mando percorro caminhos sombrios,
Segues sempre meus passos vadios
E com bravura e candura me alimentas.


Transformada me sinto ao teu toque
Renovada com a imagem de ascensão
Reexistindo após cada refeição
É essa a essência do teu dote.


Eternamente serei tua,
Serva de amor e capricho
Num corpo frio e sempre nua,
Onde alguns herodianos apenas vêm …um bicho!

Texto: Luísa Currito
Foto: João Carvalho

Posted 14 de Setembro de 2015 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Amo-te, irremediavelmente   Leave a comment

A vida dorme, coberta pelo manto da noite, retempera forças para mais uma batalha. Jazemos, mortais, depois do clímax, rendidos da luta. Pela janela vejo os contornos da cidade, aconchegada em si mesma (como tu, em mim, longe de tudo, escondidos).

Amas-me?

Quando volto a ver-te? Quero estar contigo, fazes-me falta.

O jantar foi soberbo, estava ávido de ti. Despertas-me os sentidos, perco o controlo. Mãos ao ar, rendo-me, sou teu.

Ditaste as regras, aceitei o jogo, pensei ser capaz de as mudar. Enganei-me. Sou refém delas, à tua mercê.

Bebi demais, o vinho era excelente (menos que a companhia, mais que a última garrafa que partilhamos). Sinto-me ébrio do teu corpo, em êxtase. Tu dormes profundamente, descansas em mim (de nós).

Adorei estar contigo. Foste ótimo.

Somos sempre, quando acontece. Quero mais; quero-te sempre.

É arriscado. Não pode ser.

Claro que pode. Não consigo viver sem ti. Vamos começar do zero, juntos.

Afago os cabelos sedosos e longos que se espraiam sobre mim e sinto a tua respiração serena; estás em paz. Queria poder entrar nos teus sonhos e viver neles (contigo).

Se tu quisesses (…)

Preferia que não acordasses, neles pertences-me (és só minha). Sinto ciúmes do mundo, em ti.

Sou feliz (por momentos), para mergulhar numa tristeza profunda (quase sempre).

Não vás, fica. Não voltes, foge (para mim). Vamos ser felizes, prometo. Vivo do nosso amor, sem ele definho.

O relógio toca, implacável, sentenciando-nos ao desfecho costumeiro. São quatro da manhã. O coração acelera e a ansiedade invade-me.

Quando volto a ver-te?

A dúvida habitual tolda-te o olhar. Debruças-te sobre a cama e os lábios fundem-se, pela última vez; sabe a incerteza. Olhas para trás antes de sair: sou um peão no teu xadrez.

Morro em mim (mais do que em ti, há pouco).

Amas-me? Amo-te, irremediavelmente. 

Texto: Nuno Franco Pires

Foto: João Carvalho (Castelo de Elvas, Elvas, 2015)

Posted 24 de Agosto de 2015 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Da Música   1 comment

A musica derrama-se
no corpo terroso
da palavra. Inclina-se
no mundo em mutação
do poema.

A música traz na bagagem
a memória do sangue; o caminho
do sol: Lume e cume
de palavras polidas.

A música rompe um rio de lava
por si mesmo criado. Lágrima
endurecida
onde cabem o mar
e a morte.

Texto: Casimiro de Brito, in “Canto Adolescente”

Foto: João Carvalho (2015)

Posted 14 de Agosto de 2015 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Nenhum sinal de ti…   Leave a comment

Frio intenso, luzes de neón
Ruas vazias, olhos no chão
Faço um esboço de ti, de contornos sedutores
Seras tua minha luz que me apagou a voz

Eu não sei se vais ouvir
Quando eu gritar o teu nome
Eu não sei se vais pedir
Pra calar a tua fome
Eu não sei se vais cantar
E acordar os meus sentidos
Eu não sei se vais cumprir
O que tinhas prometido

Não tens rosto nem tens pele
Não há nenhum sinal de ti
És apenas o silencio
Que se perdeu por aqui

Eu não sei se vais ouvir
Quando eu gritar o teu nome
Eu não sei se vais pedir
Pra calar a tua fome
Eu não sei se vais cantar
E acordar os meus sentidos
Eu não sei se vais cumprir
O que tinhas prometido

Texto: Letra de música dos Classificados

Foto: João Carvalho (Forte de Santa Luzia, Elvas, Portugal)

Posted 4 de Agosto de 2015 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Sofrimento   Leave a comment

Não há forma de explicar tudo o que se diz, quando se diz sofrer.

Texto: José Luis Peixoto

Foto: João Carvalho (Elvas)

 

Posted 28 de Julho de 2015 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Num segundo   Leave a comment

Existe uma dimensão absoluta
Em tudo o que é perfeito
Um centímetro a mais ou menos
Na medida mais exata
De tudo o que é puro, sem defeito
Se um mundo qualquer
Coubesse no meu bolso
Na medida mais exata
Sem transbordar
Mesmo à medida
Sem queda ou catarata
Seria esse o tamanho certo do mundo
Que eu podia tirar do bolso
E viver
Num segundo

Texto: Raul Cordeiro em http://vidadaspalavras.blogspot.pt/

Foto: João Carvalho (Elvas, Portugal)

Posted 23 de Julho de 2015 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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