Archive for Novembro 2015

Lembra-te   Leave a comment

Lembra-te que por vezes a tua maior provação não consiste somente na coragem que possuíste ao sair do precipício onde te colocaram, mas antes conseguires permanecer na sua berma, sorrindo para ele, cantando e pulando sem te desequilibrares.

Texto: Célia Moura in https://celiamoura.wordpress.com

Foto: João Carvalho (Fronteira, Portugal, Novembro, 2015)

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Posted 22 de Novembro de 2015 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Sou os Sonhos que não Realizei   Leave a comment

imageA tristeza de não ser mais do que aquilo que deixei de ser. De não fazer mais do que aquilo que deixei por fazer. Sou os sonhos que não realizei, os passos que não dei. Sou a vida, sim, que não vivi. E é assim que vivo, entre pensamentos de que sou e a lucidez, sempre temporária mas sempre triste, de que não sou. De que não consigo ser. Os dias, lentos e parcimoniosos, são leves brisas de tempo, folhas que o vento, sem esforço, carrega para o destino final. Escrevo porque só sei escrever. Escrevo porque nada sei fazer. E aguardo que, letra a letra, se vá, imagem a imagem, o sonho prometido. E aguardo que, sonho a sonho, se vá, promessa a promessa, o destino ansiado. Sou, mais do que o que sou, o que não sou: o que não fui capaz de ser. Fiquei a meio, sempre a meio, do que desejei finalizar. Meio escritor, meio humano, meio poeta e meio insano, meio senhor, meio criança, meio sorriso na meia infância. Fiquei a meio, sempre a meio, do que desejei finalizar. Fui o quase génio, o quase artista, o quase pedinte, o quase louco. Fui quase feliz, quase gente – o triste demente, quase. Sou quase, sou meio. Porque sou, mais do que o que sou, o que não sou. Porque sou, mais do que o que sou, o que não fui capaz de ser: o que não sou capaz de ser.

Texto: Pedro Chagas Freitas

Foto: João Carvalho

Posted 16 de Novembro de 2015 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

Uma névoa de Outono o ar raro vela,   2 comments

Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.

Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.

Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta […]

Texto: Fernando Pessoa

Foto: João Carvalho (Elvas, 2015)

Posted 14 de Novembro de 2015 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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E pouco mais que… nada   Leave a comment

Quem me dera ser esse ser seguro
Assente em colunas firmes e frias
Que pendura o olhar no futuro
E descansa
Seguro como o Sol de Álvaro de Campos
Ou como a Lua de todos os dias
E dança
Seguro como são seguras as coisas seguras da vida
Como é seguro o adeus da despedida
À medida
Seguro como é segura a terra
Ou como são seguras as estrelas
Balelas
Não
Não sou seguro
Sou apenas uma pequena segurança
Da minha insegurança segura
E pouco
E nada

Texto: Raul Cordeiro

Foto: João Carvalho (Aldeia da Estrela, Portugal)

Posted 4 de Novembro de 2015 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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