Archive for Novembro 2014

Viajar sem bilhete….   1 comment

SONY DSCÀs vezes é preciso viajar sem bilhete, mala ou destino.

É importante deixar as rotinas, ultrapassar o que lá foi e plantar a estrada que desejamos pisar.

Texto: Tristão de Andrade

Foto: João Carvalho (2014)

Posted 24 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Chuva de Outono…   1 comment

dsc01628O verde ‘Douro’ estava ali atracado sem a vida d’outrora… As águas que escorrem na vertical são incomparáveis ao marejar do horizonte… Desaparece tempestade… Quero apenas o paraíso das tuas águas cristalinas…Como preciso de mergulhar nas tuas ondas…

Banhar-me nas tuas águas azuis celestiais…

Privilegiar da tua beleza em mim.

Leva essas gotas salgadas para longe.

Traz o calor que afaga o coração…

Em súplica, leva esse barco a bom porto, não o deixes imóvel, preso a um qualquer cais.

Navegar é preciso!

 

Texto: Eldazinha in http://vivemosdemomentos.blogspot.pt/

Foto: João Carvalho (2014)

Posted 18 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Escuta   5 comments

SONY DSCO que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “ Se eu fosse você”. A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção.

Texto: Rubem Alves em O Mundo de Gaya in http://sirana.wordpress.com/2014/10/25/escuta/

Foto: João Carvalho (Esperança, Arronches, Portugal, 2014)

Posted 15 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Solidão (devaneios)   2 comments

SONY DSCHá portas na vida que se fecham e se abrem e outras que estão sempre entreabertas como se do outro lado soprasse uma brisa leve que nem fecha a porta nem a abre, mas nos traz beijos de vez em quando.

Alguém disse há uns tempos que a vida é um encontro de solidões.

Eu diria que sim.

É um encontro de solidões que por vezes se encontram e por vezes se separam.

Por muito que quisesse nunca poderei esquecer as brisas que me aquecem a solidão.

Pode ser perigoso abrir ou fechar demasiado a porta.

Agrava a solidão.

Texto: Raul Cordeiro

Foto: João Carvalho

 

Posted 14 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Mapas   1 comment

ferro2A vida não é um simples acontecimento e também não será um mero acto de destino. É algo que acontece dentro de nós, ao nosso lado, à nossa frente, à nossa volta, acontecendo mesmo onde não a vemos acontecer. A nós resta-nos o desafio de a conduzir, e é nessa condição de condutores que nunca devemos esquecer que: não há estrada que nos leve para onde nós não queiramos ir.
Circulamos por cruzamentos, pontes, auto-estradas, caminhos apertados e ruas sem saída. Viajamos a qualquer hora do dia ou da noite. Vamos destemidamente porque o que importa é ir; assumindo sempre que ficar é parar, e parar é morrer.
Caminhos que cruzamos ora em escolhas próprias, ora com indicações alheias, e onde estamos sujeitos às piores tentativas de distração e desencaminhamento; vozes cruzadas que nos juram conhecer o rumo certo.
Agarramos o volante como quem abraça um leme: com força. Fechamos a expressão, trincamos os próprios dentes, e fixamos no horizonte um ponto determinado ( desconhecido ) para alcançar. Navegamos como quem deseja voar.
Seguimos numa rota estabelecida de rumo certo para evitar problemas e horas de aperto. Circulamos sem vontade e sem memória. Desiludidos. Somos senhores de um ar cansado, vendedores de um sorriso, actores de um texto decorado onde a felicidade já nem chega por improviso.

Texto: Tristão de Andrade

Foto: João Carvalho (Santa Eulália, Portugal, 2014)

Posted 13 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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LUSCO-FUSCO   Leave a comment

SONY DSCA escuridão dilui-se devagar na claridade. A luz vencerá, mas essa certeza só chegará mais tarde. Agora, este momento é uma dúvida. A luz e a escuridão dividem-se em forças iguais e o seu duelo parece renhido, apesar de se saber que, todos os dias, a esta hora, o sol começa a levantar-se no mar. Mais tarde, depois de um dia inteiro, será também sobre o mar que tombará. Em volta, apenas o mar, o oceano: tudo existe rodeado pela circunferência desse horizonte.

Os homens da traineira sabem o que têm a fazer. Em terra, ainda dormem aqueles que os esperam. No sono, esses rostos são indefesos e inocentes. Mas não sobra tempo para recordá-los agora, há trabalho por fazer, há redes a precisarem de cuidado. O céu aproxima-se e afasta-se com o balanço do mar. Na distância, estende-se uma superfície de nuvens irregulares que se desnivela com esse ritmo. Os homens da traineira acompanham os humores do mar, reconhecem-nos. Às vezes, sentem que o mar os transporta no ombro, como amigos de tamanhos diferentes; outras vezes, suportam-lhes a ira, escapam-se debaixo dos seus golpes. Nesses dias, é como se o mar quisesse derrotá-los. Gigante, congrega todos os elementos sob o seu poder. O céu e a tempestade obedecem-lhe.

As redes submersas seguram o peso da expectativa. O frio desta hora enrijece as faces dos homens da traineira, barba mal feita, olhos secretos. Debaixo da roupa, rente à pele, apenas o frio húmido, como se escorresse uma camada muito fina da água que se acumula em poças no convés, que se respira, que salga o ar e as palavras que os homens não dizem.

Em terra, ainda dormem aqueles que os esperam. Há momentos em que é preciso lembrá-los, quando faz falta toda a força que se conseguir ter: os filhos que hão-de ser despertados para ir à escola, a casa inteira despertada pela mulher que acorda sozinha na cama de casal, sabendo o que tem de fazer, e que, depois dessa saga, tem de ir para o emprego, aqui, ali ou lá longe, transportada por autocarros, comboios ou silêncio.

Os homens da traineira aceitam esta ondulação mansa, julho de paz, como aceitaram a raiva de janeiro. Apesar do sofrimento, pensam muitas vezes no que seria o mar sem eles, únicos dispostos a suportá-lo, a impedir que se destrua a si próprio. Aleatório, violento e, no entanto, capaz também de ternura desajeitada, capaz também de generosidade que nunca termina, puxada em redes cheias durante anos e anos, vidas inteiras.

Por isso, os homens da traineira sabem que não são melhores do que o mar. Uns e outros têm de lidar com o seu próprio medo. É esse o verdadeiro confronto. Os homens da traineira e o mar partilham a mesma natureza. Só se distinguem por necessidade analítica, por fraqueza do mundo. Na verdade, há muitos momentos em que o mar é os homens da traineira, assim como há muitos momentos em que os homens da traineira são o mar. Fingindo uma espécie de luta, seguem paralelos, sobrepõem-se e atravessam-se, como a escuridão e a claridade neste momento, como um lusco-fusco permanente, perpétuo.

Texto:  José Luís Peixoto

Foto: João Carvalho

Posted 12 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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dsc0758348 Foto: João Carvalho (31 de Janeiro de 2010)

Posted 6 de Novembro de 2014 by João Carvalho in Outros assuntos

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