Por Todos os Caminhos do Mundo   Leave a comment

A minha poesia é assim como uma vida que vagueia
 pelo mundo,
por todos os caminhos do mundo,
 desencontrados como os ponteiros de um relógio velho,
 que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar
 num jardim nocturno,
Ora um deserto que o simum veio modificar,
 ora a miragem de se estar perto do oásis,
 ora os pés cansados, sem forças para além.
Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe
 o rumo e a hora de o atingir,
 a tranquilidade de quem tem na mão o profetizado
 de que a tempestade não lhe abalará o palácio,
 a doçura de quem nada tem a regatear,
 o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar.
Na minha vida nem sempre a bússola se atrai ao mesmo
 norte.
 Que ninguém me peça nada. Nada.
 Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia,
 com a minha noite que nem sempre é noite
 como a alma quer.
Não sei caminhos de cor.
Texto: Fernando Namora
Foto: Elisabete Rosado (Monserrat, publicado em: http://chaodecenario.blogspot.pt/)
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Posted 6 de Outubro de 2012 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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