O Guardador de Palavras   Leave a comment

nunca fui só distância e entretanto
transmiti todos os meus lugares,
desde que o mundo é só água e palavras
... e morro na iluminura dos olhos.
sempre cresci com pretensões
avulsas, vícios,
e as qualidades das metáforas.
um dia disseram-me que a morte
era um ciclo prévio, que os dons cristalizam
perfeitamente na memória
com auréola e senhora e a dor da confirmação.
nunca quis ser só distância,
sempre houve cavalos
seguindo em minha inutilidade prosperante,
palavras comprometidas com toda a imitação
de sentimento e bicho.
sempre me esvaziei da responsabilidade 
de semear o meu tempo,
cresci ajoelhado, em constante
transmissão efémera, em constante
importância assintomática.
depois soube que o tempo castiga
um silêncio em silêncio,
e então comecei a guardar as palavras.
Texto: Tiago Nené "Relevo Móbil Num Coração de Tempo", 
publicado em "http://chaodecenario.blogspot.com/2012/03/o-guardador-de-palavras.html"
Foto: João Carvalho (Juromenha, 2012)
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Posted 16 de Março de 2012 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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