Archive for Março 2011

Tecer a vida…   Leave a comment

Quando a nossa vida
É tecida no tear do tempo
Alvora a eternidade
E em laçadas de fios de prata
Um olho hábil
Constrói a nossa figura social
E nossos sonhos em cascata
Surgem tecidos em tom natural
Numa bitonalidade
Entre o amor e o ódio
Entre os tons cinzentos ou coloridos
De um breve episódio
Numa alegre ou triste remexida
Desse breve tempo
A que chamamos vida.
 
Texto: Raul Cordeiro
Foto: João Carvalho (Museu da Fotografia em Elvas, 2011)

Posted 25 de Março de 2011 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Memórias de um beijo   1 comment

Lembras-me uma marcha de lisboa
Num desfile singular,
Quem disse
Que há horas e momentos p´ra se amar

Lembras-me uma enchente de maré
Com uma calma matinal
Quem foi
Quem disse
Que o mar dos olhos também sabe a sal

As memórias são
Como livros escondidos no pó
As lembranças são
Os sorrisos que queremos rever, devagar

Queria viver tudo numa noite
Sem perder a procurar
O tempo, ou o espaço
Que é indiferente p´ra poder sonhar

Quem foi que provocou vontades
E atiçou as tempestades
E amarrou o barco ao cais
Quem foi, que matou o desejo
E arrancou o lábio ao beijo
E amainou os vendavais

Composição: Luis Represas

Foto: João Carvalho (Albufeira de Borba, Março de 2011)

Posted 24 de Março de 2011 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Às vezes há tardes…   2 comments

Às vezes há tardes que os meus braços
Não conseguem abraçar
E um grito surdo dos jardins onde passo
Há tardes em que levo a chuva no regaço
E grito sem a espada desembainhar
Enrolo-me sossegado no meu encanto
Respondo a mim próprio
Falo para dentro
E fica mais longínqua a aura do meu canto
Precisamos de rosas, espadas e açoites
Para fazer da tarde manhã
Para fazer de hoje amanhã

Texto: Raul Cordeiro

Foto: João Carvalho (Marvão, 2010)

Posted 17 de Março de 2011 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Revolto   1 comment

Revolto o meu ser, revolto imagens pelas quais chorei, sofri.
O cheiro do mar salgado faz-me querer fugir para longe.
As ondas batem fortemente, ao longe. Como se chamassem por mim.
Sinto-me presa. Estou presa!As tuas mãos seguram a minha inquietude, a minha revolta, a minha ira em querer partir.
A minha raíz agita fortemente a terra que a esconde.
Aos poucos pequenos golpes rompem a minha pele.O sangue escorre deixando-me fraca.
Uma lágrima escorre pela minha face.

Texto: Carlota Pires da Costa

Foto: João Carvalho

Posted 17 de Março de 2011 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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FERNÂO CAPELO GAIVOTA   8 comments

Superfície azul do céu,
asas em curva de dores,
Fernão Capelo levanta e voa,
porque voar é importante,
mais que comer e viver.

Caro é pensar diferente,
viver em infinitos,
voar dias inteiros
só aprendendo a voar.

Gaivota que se preza
tem de sentir as estrelas,
analisar paraísos,
conquistar múltiplos espaços.

Gaivota que se preza
precisa buscar perfeição.
Importante é olhar de frente,
em uma, em dez, cem mil vidas.

Para Fernão nada é limite:
voa, treina, aprende,
paira sobre o comum do viver.

Se o destino é o infinito,
o caminho é nas alturas!

Texto: Fernão Capelo Gaivota

Foto: João Carvalho (Badajoz, 2011)

Posted 15 de Março de 2011 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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Vãs palavras, má fortuna   Leave a comment

Dispo-me quando escrevo
As palavras que são minha roupa de disfarce
Verdade feita poema
Na linha ténue do ecossistema
Dispo-me porque sei que transpiro
Porque sei que sonho
Visto-me porque sei que te inspiro
No teu poema medronho
Neste equilíbrio de corpo e mente nus
Faço a correr a tua praia de encantos
Visto e dispo a roupagem na duna
Oiço e leio o que escrevo
Vãs palavras, má fortuna

Texto: Raul Cordeiro

Foto: João Carvalho

Posted 9 de Março de 2011 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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A mulher   Leave a comment

Ó Mulher! Como és fraca e como és forte!
Como sabes ser doce e desgraçada!
Como sabes fingir quando em teu peito
A tua alma se estorce amargurada!

Quantas morrem saudosa duma imagem.
Adorada que amaram doidamente!
Quantas e quantas almas endoidecem
Enquanto a boca rir alegremente!

Quanta paixão e amor às vezes têm
Sem nunca o confessarem a ninguém
Doce alma de dor e sofrimento!

Paixão que faria a felicidade.
Dum rei; amor de sonho e de saudade,
Que se esvai e que foge num lamento!

Florbela Espanca – Trocando olhares

Foto: João Carvalho (S. Vicente, Elvas, 2011)

8 de Março de 2011

Posted 8 de Março de 2011 by João Carvalho in Foto, Pensamentos

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